""Eu segurei muitas coisas em minhas mãos e eu as perdi; mas tudo que eu coloquei nas mãos de Deus eu ainda possuo." Martin Luther King

Emoções

Finalmente! Amanhã vai ser o grande dia, tão ansiosamente esperado.
O meu filho Ricardo vai recomeçar a conduzir.
Imagino como se sente, que expectativas deposita em si mesmo, uma vez que está impossibilitado de o fazer ha quase 3 meses e tem noção de que ainda lhe vai custar movimentar o braço.
Tem sido uma dura luta, para voltar a dar saude aquele braço.
Mas com a perseverança e coragem dele, com o empenho e desvelo dos médicos e fiisioterapeutas que o tratam e, modestia à parte, com a minha ajuda, está quase a normalizar a situação. E com a fé que tenho em Deus, que esteve sempre do lado dele, tudo se vai resolver.
Ontem além de o levar de manha, fui tambem busca-lo ao fim do dia à Base Naval do Alfeite para o levar a fisioterapia.
Enquanto o esperava recordei o 1º dia em que o deixei naquele lugar.
Era tão novinho o meu filho, tinha terminado o 12º ano e, acho eu, ainda tinha o ar de menino.. Entrou de mochila as costas, boné na cabeça, e um saco enorme com todo o material necessário.
Entrou e seguiu sem se virar para tras, sem se virar para mim.
Eu sabia que só o voltaria a ver ao fim de uma semana.
Naquele momento senti que a sua juventude, a sua vida facil tinha terminado no momento em que cruzou aquele portão enorme. Para onde quer que eu olhasse só via militares de rosto duro, fechado. Talvez para intimidar os novatos que chegavam. Mas na verdade tambem me intimidaram e eu não sou de me assustar com nada.
Permaneci no carro a ve-lo afastar-se e sou interpelada por um militar.
-O que faz aqui estacionada minha senhora?
Respondo meia assustada meia orgulhosa: vim trazer o meu filho que vai prestar provas. Resposta com um meio sorriso, meio ar duro:
Não pode estar aqui parada, isto é uma area militar. O seu filho está muito bem entregue. A marinha toma conta dele, agora já não é seu.
Imediatamente os meus olhos se encheram de lágrimas. Eu estava a sentir isso memo. O meu menino ja nao era meu, já saira debaixo da minha asa protectora. Agora pela primeira vez estava por conta dele, eu já nada podia fazer para o ajudar, para o proteger.
O militar ao ver o meu ar, sorriu com ar meio benevolo e ainda me disse; vá descansada minha senhora, ele fica bem, só depende dele.
Nem sei como passei a primeira semana.
Ao fim de oito dias la estava eu de novo a espera do meu filho.
Quando cruzou o portão era outra pessoa.
Ja nao era o jovenzinho que oito dias antes tinha cruzado aquele mesmo portão.
Era um jovem com ar de homem. O ar doce dera lugar a um rosto duro, fechado. Os cabelos negros deram lugar a uma carecada reluzente e brilhante. As roupas juvenis substituidas pela farda.
Mas estava tão lindo, o meu menino. Que orgulho senti, como lhe assentava bem a farda azul, e com que orgulho ele a usava.
Entrou no carro sem parecer reparar no meu ar ansioso, queria saber tudo, como tinha sido aquela 1ª semana.
Quando pus o carro em andamento olhei-o e ...era de novo o meu menino de ar doce, que me olhava de brilho nos olhos, um sorriso do tamanho do mundo, a par do seu ar orgulhoso.
Depois desse dia, já se passaram 7 anos.
Tantas emoções vividas dentro daquele portao.
O primeiro louvor que ganhou.
O 1º curso terminado.
O dia em que ganhou a boina de fuzileiro.
Os dias que passou no mato e eu sem saber nada dele, (o que sofri meu Deus, e sabe Deus o que ele sofreu tambem).os 6 meses que passou em Timor, uma tortura, uma saudade indescritivel.
Estremeço com o som do portão a abrir, ponho fim aos meus pensamentos.
É o meu filho que chega. Dentro da base tem o tal ar duro e rosto fechado, porte muito direito, na cabeça a boina colocada de lado Mas cá fora, junto de mim, continua a ser o meu Ricardo doce e terno.
E lá vamos nós rumo a mais uma sessão de fisioterapia, donde já sei que vai voltar todo dorido, mas com a certeza que cada dia que passa se aproxima mais o dia da recuperação total em que não teremos de voltar aqui.
E como eu anseio esse dia. Como todos nós ansiamos esse dia.
E continua a ser o meu menino. Sempre.

9 comentários:

Iris de Xango disse...

Minha querida que feliz noticia, alegro-me com a tua alegria.
Claro que o filho vai ficar bom!
gostei do que escreveste sobre o 1º dia de vida militar.
Para ti,para o teu filho, muito axe
Iris de Xango

Moon disse...

Que belo texto repleto de sentimento e emoção.Quanto sfre uma mãe por um filho.
Lindissimo.
Deus vos abemçe a ambos, sejam sempre felizes
Moon

Mara disse...

Oh minha amiga Isa, etão o militar disse que o teu menino jánão era teu?como se atreveu? LOL
Acho que o esganava ali mesmo. Imagino como ficaste.
Mas já passou, e agora o teu menino é um militar durão. se bem que ele é um doce
Beijinhos fico feliz com as boas noticias
Mara

Gui disse...

Minha doce amiga, ser mãe de militar não é fácil.
Quanto às melhoras do teu filho, nem sabes como me alegro.
Muito bonito e sentido o teu texto.
Um abraço
Gui

Circulo Divinal disse...

Agradeço-te os comentários e quero congratular-me com as boas noticias.
desejo que a tua vida seja uma sucessão de boas noticias. As más, as tristezas, a falsidade, para tras das costas.Um dia maravilhoso para ti e Ricardo
Um beijo

Pandora disse...

Tens sido uma mãe muito corajosa. Acho que custa mais a nós mães do que aos filhos.
Que recupere depressa e corra tudo pelo melhor, é o que desejo.

Beijos

Moon disse...

Uma boa noite, desejo que estejas bem assim comoo teu filho Ricardo.
Beijo
Moon

Jota disse...

Isa embora esteja sempre a brincar quando aqui venho, comovi-me ao ler este teu texto. Recordei o dia em que fiz o mesmo percurso do Ricardo. recordei a comissão em Timor, as saudades, o não querer preocupar a familia, o desespero por vezes.
E recordei sobretudo quando entrei e deixei a minha mãe do lado de fora a ver-me entrar. Tmbem não olhei para tras tal com o Ricardo. Não era preciso amiga. a imagem da minha mae ia no meu coraçao tal como a tua ia no coração do teu filho.
Para ti, para a minha mãe, para todas as mães de militares,para todas as mães do mundo o meu abraço respeitoso.
Jota

Joana disse...

Olá bom dia já havia comentado este texto logo no dia seguinte de o ter feito, não devo te-lo feito bem, li este texto no momento q o publicou, da mesma forma como no dia em q o li agora tabém fiquei com a lagriminha no canto do olho, acompanhei toda esta fase complicada do ricardo e é com mt orgulho q o vejo novamente a conduzir ;)