""Eu segurei muitas coisas em minhas mãos e eu as perdi; mas tudo que eu coloquei nas mãos de Deus eu ainda possuo." Martin Luther King

Para ti

Foi para ti que desfolhei a chuva, para ti soltei o perfume da terra, toquei no nada e para ti foi tudo. Para ti criei todas as palavras e todas me faltaram no minuto em que falhei o sabor do sempre. Para ti dei voz às minhas mãos, abri os gomos do tempo, assaltei o mundo e pensei que tudo estava em nós nesse doce engano de tudo sermos donos, sem nada termos, simplesmente porque era de noite e não dormíamos, eu descia em teu peito para me procurar e antes que a escuridão nos cingisse a cintura, ficávamos nos olhos vivendo de um só olhar, amando de uma só vida. Mia Couto

6 comentários:

notyet disse...

Não tenho autoridade para comentar.
O poema, a foto não deixam falar.
Um grande e luminoso beijinho

Maria Emília disse...

Conheço pessoalmente Mia Couto. Ele é simplesmente fantástico. As palavras escolhidas são lindas como linda e cheia de mensagem é a imagem.
Um grande beijo,
Maria Emília

Sonia Schmorantz disse...

Ótima escolha, o poema é lindo!
Beijo e um maravilhoso final de semana para ti.

UMA PAGINA PARA DOIS disse...

O vento soprou
Tão doce e sereno
Tocou-me ao de leve
Girou sentimentos
Dormentes, silentes
Que em vôo rasante
Tocaram o chão.
O fundo da alma
fez-se de cor de ouro
Castanho ou laranja
Deu frutos já secos
De um doce amargo
Surgiu o Outono
No meu coração.
(Lique, 2004)

Uma boa semana, plena de amor e carinho
Eduardo Poisl

Baila sem peso disse...

Metáforas lindas de Mia Couto
são difíceis de comentar
porque é impossivel mais beleza
por aqui desenhar!
Foi como ofereceres o dia
quando existe em escuridão...
todos os que aqui passarem
a lua e as estrelas do céu verão
quando o sol também brilhar!

Beijinhos e uma boa semaninha cheia de muito carinho e luz!

Sandokan disse...

Apenas uma rosa
Ela trazia na sua mão
Ao longe senti o aroma
Que o vento leve e suave trouxe.
Podia então sentir teus passos
Andando vagamente
No silêncio escondido
Para que eu não despertasse
Daquele sonho envolvente.
Senti então o barulho da porta
Que abria lentamente
Seu perfume dominava
Entrava nos meus sonhos
Invadia a minha alma.
Meu quarto perfumado
Era o aconchego, o
Meu refúgio, o meu pensar.
Espalhada na cama
Envolvida nos lençóis vermelhos
Elea chegava de mansinho
Nem pedia licença,
Já me enchia de carinho,
Beijava-me inteiro,
Deixava-me alucinado
Envolvia-me nos seus desejos.
Meus sonhos se foram
Ali estava ela delirando
Pelo meu amor.
Suas mãos atrevidas ela deslizava
Não temia os limites
E eu ali sonhava e vivia
Toda aquela magia
Todo aquele momento
De ternura e encanto.
Ah! Que belo sonho...
Eterno ele será
O dia que você existir,
Não precisa nem trazer a rosa
Traga apenas o seu coração
E sua alma cheia de amor
Que eu cuidarei da sua vida
E do seu amor.