""Eu segurei muitas coisas em minhas mãos e eu as perdi; mas tudo que eu coloquei nas mãos de Deus eu ainda possuo." Martin Luther King

Memórias, doces memórias

Ontem resolvi fazer gazeta, como dizem os miudos
Apesar do mau tempo, do frio e da chuva, resolvi ir ver o mar.
O mar sempre me acalma, ajuda-me a ver as coisas com mais lucidez.
Fechei o meu espaço e rumei até à Ericeira. Gosto de sentir o ar frio a bater-me no rosto, de ver o mar revolto a bater nas rochas. Aproveito para pedir as ondas que levem os meus pensamentos menos felizes.
Enquanto o contemplava, pensava.
Recordei varios fins de semana que habitualmente ali passo com a familia e amigos.
Pensei nos meus filhos.
E talvez por associação de ideias recordei uma tarde em que a professora do meu filho mais novo, o Ricardo, me comunicou que ele andava a fazer gazeta.
Resolvi ter uma conversa com ele.
Amigavel, porque ainda me recordava de uma altura em que tambem eu fizera gazeta à escola. Em vez de ir para o liceu, resolvi ir passear com umas colegas da minha turma.
Para mal dos meus pecados fui descoberta e levei uns tabefes valentes, o meu pai era raro bater, mas quando batia, era "generoso".
Pois eu não ia bater , nem ia ralhar, iamos apenas conversar como amigos. Informei o meu filhote que iamos ter uma conversinha.
Ele baixou a cabeça, e eu comecei a debitar o meu discurso, cuidadosamente preparado.
O bom do Ricardo permanecia de cabeça baixa.
Eu estava contente, achava que ele estava a interiorizar o que eu dizia, de cabeça baixa, sem retorquir. Pensei que o meu discurso estava a ser feito na hora "H".
Mas aquele silencio estava a ser demais e interroguei-o se não concordava comigo, perguntei o que ele pensava.
E nisto...ouço...ROOOOMMMMMMMMM...sim...um ronco.
O meu filho tinha adormecido enquanto escutava a minha prelecção!!!
Adeus hora "H", adeus interiorização...
Exitei entre dar-lhe um grito ou um abanão. Optei por o tapar e deixar dormir, mais tarde teriamos a tal conversa com um tema mais extenso, a duplicar.
E dou-me conta que estou a sorrir.
E enquanto escuto o vento e vejo a chuva cair, continuo a sorrir às minhas memórias, doces memórias.

3 comentários:

Haere Mai disse...

Porque recordar é viver...
Eu já conhecia esta conversa entre mãe e filho...lol...O Ricardo, homem de rosto sóbrio e sorriso de menino... Saudades...

Beijo azul...Sempre!

DESESTRESSA MANO disse...

Ola

belo texto, belo blog.

parabens, belo blog

abraços e sucesso

Xana disse...

A Ericeira e o mar me trazem recordações tão boas , daquelas que não voltam nunca mais.
Passei as férias da minha juventude aí, na praia do hotel.
passávamos férias na Quinta do Barril, ao pé da Fonte -Boa-dos-Nabos, sabes onde é?
Na altura parte da quinta pertencia à Guerin, era como se fosse a colonia de férias dos trabalhadores dessa firma.
Há uns 9 anos recebi o convite de uma amiga minha que ia fazer a festa de batizado da filha lá na quinta.
Deixei a festa e percorri todos os cantos daquela quinta ...que saudade... até as lágrimas vieram aos olhos.
Que bom é recordar, beijinho